Sábado, 24 de Novembro de 2007

Contrastes...

   Durante as últimas décadas, tem-se vindo a assistir a uma crescente urbanização no território português. Como consequência, os espaços rurais têm vindo a perder peso face à forte aposta da generalidade da população pela vida urbana. No entanto, o mundo rural e o mundo urbano são complementares e interdependentes, ou seja, o campo precisa dos serviços públicos e comerciais da cidade, enquanto que esta necessita dos produtos endógenos e outras matérias-primas fornecidas pelo campo.

 

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   Como já foi referido, ultimamente tem-se visto uma sobreposição da vida urbana sobre a vida rural. Os contrastes entre estes dois modos de vida são muito acentuados, verificando-se uma melhor qualidade de vida no campo e um maior nível de vida na cidade. Após a realização de um inquérito feito pelo jornal “Observa”, em 1997, em que as perguntas incidiam sobre o local onde se vivia melhor, verificou-se que cerca de 42% da população inquirida escolheu o campo como local onde se vivia melhor, e cerca de 14% dessa amostra inquirida seleccionou a cidade como local predilecto para se viver. As razões que levaram esta parcela da população a escolher estes dois mundos para se viver foram muitas, onde se destacam as seguintes: no que diz respeito à população que escolheu o campo, cerca de 26% indicou que tem uma vida calma, 23% uma vida saudável, e 18% a beleza da paisagem; quanto à população que escolheu a cidade, as razões foram, essencialmente, o acesso a bens de consumo e serviços, empregos e transportes. Também temos a destacar o facto da população que escolheu o campo ter sido, maioritariamente, a população mais idosa. Nesse mesmo inquérito, questionou-se sobre a preferência do local de residência, caso não tivessem constrangimentos de outra ordem (trabalho/escola). Os resultados foram surpreendentes, e numa amostra de 29 inquiridos, 13 escolheram o campo como local de residência, enquanto que os restantes 16 escolheram a cidade para o mesmo efeito. Como era de esperar, a população mais idosa escolheu o campo como residência. Já a cidade foi escolhida por cerca de 10 mulheres e 6 homens, onde, num total de 16 inquiridos que nomearam a cidade, 12 vêm de indivíduos do ensino superior. Por fim, foi questionado aos 29 inquiridos se gostavam de viver na cidade e, desses 29, 20 afirmaram que sim e 9 afirmaram que não. As razões desse desgosto foram o facto da cidade ser “demasiado grande”; “barulhenta”; “poluída”; “confusa” e “muito cansativa”. Para concluir a análise deste inquérito, podemos constatar que a generalidade da população que vive na cidade prefere a vida do campo, mas não consegue deixar a vida da cidade devido a tudo o que ela oferece.

   Segundo censos de 2001, pode-se destacar uma fuga populacional para a periferia da Área Metropolitana de Lisboa (AML) – fase centrifuga –, e a existência de fortes movimentos pendulares em direcção ao centro. Este fenómeno pode designar-se como Suburbanização¹ (se a fuga for para as áreas suburbanas) ou Periurbanização² (se a fuga for para as áreas periurbanas³). Nos concelhos tradicionalmente mais rurais da periferia da AML registou-se, na última década, um forte crescimento populacional que indicia um aumento do grau de urbanização nestas zonas. Em suma, ultimamente a população tem-se fixado mais nas zonas rurais da AML, mas tem dado continuidade às funções que desempenham na cidade, bem como tem aproveitado as ofertas que esta dispõe. Também se tem verificado o contrário, ou seja, grande parte da população que vive em zonas rurais tem-se deslocado para as áreas periurbanas e centro da cidade, levando consigo hábitos de vida, nomeadamente rurais, bem como certas actividades que esta vida permite (Agricultura, silvicultura…).

   Muitos caracterizam o ambiente rural como sendo uma forma de fuga ao stress, à poluição, às pendularidades citadinas, etc (…), embora seja necessária a interacção entre estes dois mundos – Rurbanização4 –, provocando assim, a inserção do campo na cidade.

 

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Suburbanização¹ – Expansão das cidades pela ocupação humana nos subúrbios.

Periurbanização² – Factor de difusão das características e do ritmo da vida urbana, que se associa ao modo de vida rural.

Área Periurbana³ – Área que se desenvolve para lá da cintura urbana, onde se verifica uma mistura das estruturas urbanas e rurais.

Rurbanização4 – Crescente integração de actividades económicas entre os espaços urbanos e rurais.

 

Fonte: http://www.estig.ipbeja.pt/~pmmsc/git/rurbanos_2.pdf 
http://observa.iscte.pt/docs/Cidade%20Campo%20Relatorio%20final.pdf
 
publicado por canecaspartidas às 16:33
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4 comentários:
De areadeprojecto-def-canecas a 25 de Novembro de 2007 às 17:49
Oa Vossos textos fundamentam bastante bem os vosso projecto. Neles aparecem informações e pistas bastante interessantes.
Gostei de ter lido.
Fico à espera de mais: as entrevistas, as imagens que estão a produzir e ...


O PAP


De SaRaZz'x a 27 de Novembro de 2007 às 12:48
Pois é realmente verdade.E ainda bem que existe este Blog para descrever e dar a conhecer assuntos como esse! ..

x') ..


De JOÃO a 27 de Novembro de 2007 às 19:46
GOSTEI MUITO, BOM TRABALHO,CONTINUEM


De Anónimo a 30 de Novembro de 2007 às 22:25
mto bem, mostra mesmo o que é caneças. rural por um lado, mas por outro desenvolvimento


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